sábado, 3 de abril de 2010

Hans Christian Andersen

Ontem, dia 2 de Abril, celebrou-se o 205º aniversário de Hans Christian Andersen, informação dada em destaque pelo Google. Relembrei, então, os mais deliciosos detalhes da minha infância.
Autor de histórias como O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia e A Menina dos Fósforos, Andersen encantou milhares de crianças pelo mundo com os seus contos. Eu fui uma delas, encantada pelas histórias e pelas ilustrações fabulosas dos meus livrinhos.
Lembro-me de estar no meu sofá, na altura do Natal, enrolada numa manta em frente à televisão. Enquano comia tostas de queijo via bailados na televisão e todos os programas altruístas que gostava de ver e que me faziam sentir bem, num mundo supostamente feliz e onde a magia do Natal era inesgotável e a todo o lado chegava. Aproveitava e agarrava-me os meus livros onde podia ler a história de amor entre um soldadinho de chumbo, que apenas tinha uma perna, e uma bailarina que tinha uma perna tão levantada na sua acrobacia subtil que parecia sofrer da mesma condição do seu amado, de ter apenas uma perna; onde podia ler a história de uma menina que, no meio da neve, tentava aquecer-se com o maço de fósforos que não conseguira vender.
Enquanto me sentia alegre pelo simples momento que vivia, com a minha tosta, o meu sofá e a minha TV, sentia-me igualmente abatida pelas histórias que lia, onde tudo acabava bem de uma maneira que eu considerava errada, por ser já uma amostra de realidade ali embutida, nos meus livros cuidadosamente ilustrados.

Enquanto agora me sinto reconfortada por ter memórias e por as minhas memórias serem estas, sinto-me igualmente angustiada por o serem: memórias, coisas passadas que não voltam. Mas ainda bem. Prefiro guardá-las como as conheci, a revivê-las e transformá-las, perdendo-as. Talvez a angústia seja pela hipótese de não as ter de todo, e não pela impossibilidade de não as reviver.

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