quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Romance



Hoje apetece-me romance. Ontem também apeteceu. E anteontem. Ultimamente tem-me apetecido bastante, e eu que não sabia que me fazia assim tanta falta! Afinal faz... sentir-me arrebatada, querer tanto sem saber o que fazer com tanta vontade, que por vezes parece não caber em lado nenhum. Sentir-me tão desejada que nem eu chego a chegar para isso tudo! E eu que pensava que não existias para mim, romance, que para nada te queria... afinal quero-te e não é pouco, que isto de andar a acumular falta de romance não se nota até ser demasiada.
Mas atenção que nem sempre romance é amor - tal como o amor normalmente nem é romance! É simplesmente aconchegante e, não me digam que não, altruísta. Faz-me ou não sentir bem? Faz. Então para mim é altruísta. Ver la vie en rose e senti-la assim também. Parecer que se está num clássico cinematográfico dos anos 40. Ou 50, ou 60, qualquer um com bastante romance, mas com classe, nada de lamechices que o desespero também não é assim tanto, e o que é é exigente. Já que é para fazer destas coisas, ao menos faz-se bem, ora!

Amanhã se calhar já não me apetece romance, apetece-me outra coisa. Pelo menos assim o espero, que estas vontades já perduram há demasiado tempo, que custa a passar (não, não dói, nem preciso da típica caixa de chocolates e dos lenços de papel... mas demora!) e não há quem mereça querer o que não pode ter quando quer.
Amanhã apetece-me querer aventura, acção e tudo que de romântico nada tenha! Vamos lá ver se a coisa corre como quero, já que não tenho o meu querido romance.

sábado, 3 de abril de 2010

Hans Christian Andersen

Ontem, dia 2 de Abril, celebrou-se o 205º aniversário de Hans Christian Andersen, informação dada em destaque pelo Google. Relembrei, então, os mais deliciosos detalhes da minha infância.
Autor de histórias como O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia e A Menina dos Fósforos, Andersen encantou milhares de crianças pelo mundo com os seus contos. Eu fui uma delas, encantada pelas histórias e pelas ilustrações fabulosas dos meus livrinhos.
Lembro-me de estar no meu sofá, na altura do Natal, enrolada numa manta em frente à televisão. Enquano comia tostas de queijo via bailados na televisão e todos os programas altruístas que gostava de ver e que me faziam sentir bem, num mundo supostamente feliz e onde a magia do Natal era inesgotável e a todo o lado chegava. Aproveitava e agarrava-me os meus livros onde podia ler a história de amor entre um soldadinho de chumbo, que apenas tinha uma perna, e uma bailarina que tinha uma perna tão levantada na sua acrobacia subtil que parecia sofrer da mesma condição do seu amado, de ter apenas uma perna; onde podia ler a história de uma menina que, no meio da neve, tentava aquecer-se com o maço de fósforos que não conseguira vender.
Enquanto me sentia alegre pelo simples momento que vivia, com a minha tosta, o meu sofá e a minha TV, sentia-me igualmente abatida pelas histórias que lia, onde tudo acabava bem de uma maneira que eu considerava errada, por ser já uma amostra de realidade ali embutida, nos meus livros cuidadosamente ilustrados.

Enquanto agora me sinto reconfortada por ter memórias e por as minhas memórias serem estas, sinto-me igualmente angustiada por o serem: memórias, coisas passadas que não voltam. Mas ainda bem. Prefiro guardá-las como as conheci, a revivê-las e transformá-las, perdendo-as. Talvez a angústia seja pela hipótese de não as ter de todo, e não pela impossibilidade de não as reviver.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Perduro

Hoje imaginei-me a caminhar numa ponte branca. Vi-me de costas, como se estivesse a seguir-me. À minha volta não existia nada. Ou existia tudo, branco, tal como a ponte sob a qual estava. Sempre em frente, julgo, sem me virar para trás - se o fizesse, via-me a mim mesma e enfrentava-me duplamente. Caminhei, não sei bem para onde, mas não parei. Estava serena, sem perturbações exteriores. Estava tranquila, sem perturbações interiores. Não me pensava nem me pensavam, encontrava-me simplesmente ali, a perdurar no tempo e no espaço. Em espaço nenhum, em todo o tempo.
Agora imagino-me a perdurar não sei bem onde, nem quando. Mas perduro. Em mim?

domingo, 8 de março de 2009

A pequena (grande?) questão


Às vezes é estupidamente difícil ver, aceitar e interiorizar que alguma coisa acabou, chegou ao fim.

Sabemos que o nosso objectivo é viver. Bom, ok, viver. Mas isso resume-se a quê? Relacionarmo-nos com outras pessoas vezes e vezes sem conta, para vermos esses relacionamentos acabarem vezes e vezes sem conta, talvez por ser ser esse o seu objectivo, a sua finalidade - literalmente. Vermos a nossa vida como um relógio, que dá uma grande volta para regressar sempre ao ponto de partida. Não pensarmos em nada por não valer a pena, limitarmo-nos com a sua existência, ou pensar em tudo para percebermos, afinal, o que andamos aqui a fazer, e para quê. Fazer o que queremos, porque queremos, onde e quando queremos, só porque sim, ou fazer o que a maioria quer que façamos blábláblá. É isso, viver? Depender do relativo e do incerto, nada mais.

Geralmente, costumo dizer que amo a vida, amo viver. Porque "a vida é bela", só porque a temos, como se fosse um dom. Mas naqueles momentos contraditórios, que toda a gente tem dentro de si, só para si... dizer isso é tão ridículo que chega a ser uma ofensa pessoal.